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BRASIL, Sul, JACAREZINHO, Homem, de 15 a 19 anos, Informática e Internet, Música, TV e Novelas

Entrevista Especial com ALCIDES NOGUEIRA - Parte 1

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Minha entrevista de hoje é com um grande autor de novelas desse país. Ele é um mestre na teledramaturgia brasileira, afinal escreveu grandes novelas que tiveram grande repercussão nacional. Ele é formado em Direito, sonhou  ser diplomata, mas preferiu povoar nosso imaginário com inesquecíveis histórias. Já trabalhou com Gilberto Braga, Silvio de Abreu, Lauro César Muniz, Maria Adelaide Amaral e Whalter Negrão. E ainda adaptou com muita maestria o romance “Ciranda de Pedra” da autora Lygia Fagundes Telles, que resultou numa belíssima e inesquecível novela. E, em breve voltará com uma nova novela na TV Globo. Meu entrevistado especial é o sensacional novelista ALCIDES NOGUEIRA.

 

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Jéfferson Balbino: Você é formado em Direito, o que te motivou a trocar de profissão?

Alcides Nogueira: Eu cursei a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, com especialização em Direito Autoral pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, sediada em Genebra. Mas nunca pensei em seguir a carreira jurídica.

 

Jéfferson Balbino: É verdade que você queria ser diplomata?

Alcides Nogueira: Sim. Por isso fiz Direito. Era um bom caminho para, depois, cursar o Instituto Rio Branco. Há diplomatas na família e eu achava uma bela carreira. Desisti dela por motivos ideológicos. Era o tempo da ditadura no Brasil e eu não ia me ligar ao Governo. Fui trabalhar com publicidade.

 

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Jéfferson Balbino: Como surgiu o convite pra você ingressar na TV Globo?

Alcides Nogueira: Como redator publicitário, passei por algumas agências e viajei bastante para o exterior. Em novembro de 1981, fui contratado para trabalhar no Departamento Comercial da Rede Globo em São Paulo, na área de marketing. Já tinha estreado como autor de teatro e, nesse ano, uma das minhas peças fez muito sucesso e ganhou vários prêmios: “Lua de Cetim”. O Dionísio Poli, que era o chefe do Departamento, assistiu e achou que eu devia ir para a teledramaturgia. Preferi continuar na publicidade. Logo depois, houve a estréia de outra peça – “Feliz Ano Velho” -, baseada no livro do Marcelo Rubens Paiva. O espetáculo foi um acontecimento. Ficou anos em cartaz, recebeu todos os prêmios, foi para vários países... Por causa disso, houve outro convite e eu decidi ir trabalhar com o Walter Avancini, que comandava o núcleo de criação da Globo em São Paulo. Escrevi alguns Casos Verdade e um especial sobre o Chico Xavier. Na sequência, por indicação do Walter Durst, o Negrão me chamou para ser colaborador dele.

 

Jéfferson Balbino: Sua estréia em novelas foi em “Livre para Voar” (Rede Globo/1984) onde você foi colaborador do autor Whater Negrão. Que aprendizados você adquiriu com esse conceituado autor?

Alcides Nogueira: Eu já conhecia o Negrão da Editora Abril (ele, Maria Adelaide, Jorge Andrade, Plínio Marcos e muita gente boa). O colaborador dele deveria ter sido o Jayme Camargo, que não pode aceitar. Houve a indicação do Durst e lá fui eu. Disse pro Negrão que não tinha a menor noção da escrita de novelas. Calmamente, ele respondeu que não seria nenhum mistério. E, generosamente, foi me ensinando. Devo muito, mas muito mesmo, ao Negrão. Sempre digo que aprendi o beabá da teledramaturgia com ele e fiz pós-graduação com o Sílvio de Abreu. O Negrão, além de um grande autor, é uma pessoa muito especial, um amigo super querido.

 

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Jéfferson Balbino: É difícil pro autor saber dosar e mesclar tramas dramáticas com tons de comédia como você e o Silvio de Abreu fizeram com muita perfeição com a novela “Rainha da Sucata” (1990)?

Alcides Nogueira: É difícil, sim. Mas o Silvio é um mestre. Sabe fazer isso como poucos. “Rainha da Sucata” foi o meu primeiro contato profissional com o Silvio. Nós sempre tivemos uma ótima relação pessoal. Somos vizinhos aqui em São Paulo. Na época da “Rainha da Sucata”, o Silvio estava enfrentando problemas particulares bem complicados... O Gilberto Braga ficou com ele até precisar sair, para cuidar da sua própria novela, que iria entrar em seguida (acho que era “O Dono do Mundo”). Então o Silvio me convidou. Como eu não perdia um capítulo da novela, não foi muito difícil entrar naquele universo riquíssimo da trama. E o Silvio é um grande companheiro. Apesar de ter sido um trabalho exaustivo, tenho muita saudade daquela época. A gente se divertia, se emocionava... Enfrentamos várias dificuldades... Mas o Silvio é prático, objetivo, conhece muito bem o ofício.

 

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Mário Teixeira (colaborador de "Ciranda de Pedra") e Alcides Nogueira.

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Jéfferson Balbino: Como foi construir a novela “De Quina Pra Lua” (Rede Globo/1985) com base no argumento do Benedito Ruy Barbosa?

Alcides Nogueira: Hoje consigo olhar para esse momento da minha carreira com mais isenção. Não foi fácil. O argumento do Benedito era enxuto, não havia uma sinopse... Aceitei o trabalho porque queria me firmar. Foi uma barra! Eu escrevia sozinho. Ainda bem que trocava idéias com o Sergio Marques, que na época era leitor na Casa de Criação Janete Clair, e me dava muito bem com o Mario Marcio Bandarra, um dos diretores da novela, com quem quero voltar a trabalhar. Ele é muito sensível e talentoso. Mas, mesmo assim, chegou uma hora em que não agüentava mais e pedi ajuda ao Negrão. Disso tudo ficou a solidariedade do elenco, formado por atores e atrizes incríveis que ficaram sempre ao meu lado.

 

Jéfferson Balbino: Em 1987, você escreveu com o Whalter Negrão a novela “Direito de Amar” (Rede Globo) que era baseada na obra “Noiva das Trevas” de Janete Clair. O que você destacaria desse trabalho?

Alcides Nogueira: Foi um trabalho delicioso. Trabalhar com o Negrão sempre foi uma festa... E a direção do Jayme Monjardim foi preciosa. Gosto muitíssimo dele.  No elenco, talentos como Lauro Corona, Glória Pires, Carlos Vereza, Ítala Nandi, Carlos Zara, Célia Helena, Cissa Guimarães, Elias Gleiser... Tantos atores e atrizes geniais! Foi a primeira vez que escrevi uma história de época... E gostei muito!

 

Jéfferson Balbino: Recentemente eu entrevistei o Lauro César Muniz e ele me disse que a novela “O Salvador da Pátria” (Rede Globo/1988) que vocês escreveram juntos foi um dos melhores trabalhos da carreira dele, tamanho o sucesso e repercussão que a novela teve. O que esse trabalho representou pra você?

Alcides Nogueira:  Antes de mais nada, a oportunidade de trabalhar com o Lauro César, que é um dos nossos maiores autores. Considero “Escalada” a melhor novela brasileira... além de “O Casarão”, “Espelho Mágico”, “Roda de Fogo”... que são trabalhos emblemáticos. Era a primeira vez que escrevia para o horário das 20 (hoje 21). O Lauro foi fantástico! Tenho uma profunda admiração por ele, como autor e como ser humano, por sua honestidade, princípios éticos, transparência... E “O Salvador da Pátria” fez um sucesso incrível, com personagens que ficarão para sempre no imaginário do público, como o Sassá Mutema, Juca Pirama, Marina Cintra, a professorinha Clotilde... Foi uma novela que encarou seriamente a realidade do Brasil, no momento em que o país estava mudando.

 

Jéfferson Balbino: Entre as peças que você escreveu no Teatro, qual você considera a melhor?

Alcides Nogueira: (risos) Isso é a mesma coisa que perguntar a um pai de qual filho ele gosta mais! Cada peça representa um momento de criação, da carreira, da vivência... Mas, analisando criticamente, considero “Lua de Cetim” e “Pólvora e Poesia” dois belos momentos da minha trajetória, ambas dirigidas por Marcio Aurelio. Gosto muito de “As Traças da Paixão”, agora remontada com todo o talento e garra por Lucélia Santos e Maurício Machado, com direção do Marco Antonio Braz. 

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Escrito por Jéfferson Balbino às 17h22 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Entrevista Especial com ALCIDES NOGUEIRA - Parte 2

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Jéfferson Balbino: Por falar no Silvio de Abreu, vocês ainda trabalharam juntos na novela “Deus nos Acuda” (Rede Globo/1992), que era uma novela que satirizava a corrupção no Brasil. Houve alguma dificuldade pra retratar um tema tão perspicaz como esse?

Alcides Nogueira:  “Deus nos Acuda” juntou Silvio de Abreu, Maria Adelaide e eu. Delícia! Foi uma novela difícil de ser escrita, exatamente por satirizar a corrupção. Havia a necessidade de a trama estar sempre antenada com o que acontecia no país. Mas, como todas as histórias do Silvio, era intrigante, gostosa de ser escrita, cheia de reviravoltas... Fora que ter escrito para a Dercy Gonçalves já é um prêmio!

 

Jéfferson Balbino: Como foi trabalhar com o Gilberto Braga com as novelas: “Pátria Minha” (Rede Globo/1994) e “Força de um Desejo” (Rede Globo/1999)?

Alcides Nogueira:  Sempre quis trabalhar com o Gilberto Braga, um ícone, mas foram duas situações distintas. Ele me convidou para fazer parte da equipe de “Pátria Minha”. Fiquei felicíssimo, participei da primeira parte da novela, mas já tinha me comprometido com o Silvio de Abreu para escrever “Próxima Vítima” com ele. Quando saí de “Pátria Minha”, ficou o gostinho de quero mais. Cinco anos mais tarde, eu e Gilberto formamos uma dobradinha para escrever “Força de um Desejo”. A novela nasceu de uma sinopse minha que tinha sido aprovada, mas não produzida. Gilberto retrabalhou a história, enquanto eu escrevia “Torre de Babel”, com Silvio e Bosco Brasil. Como “Força de um Desejo” era uma novela das 18 horas, houve tempo para que eu descansasse depois de “Torre de Babel” (enquanto isso, a queridíssima Leonor Bassères ficou em meu lugar) e, aí, entrasse com tudo em “Força de um Desejo”. Essa novela é uma conjunção de fatores favoráveis. Gilberto e eu nos demos super bem; toda a equipe de texto estava azeitadíssima; a direção de Marcos Paulo e Mauro Mendonça Filho foi perfeita e impossível achar um elenco melhor. Considero “Força de um Desejo” uma das melhores produções de época da Rede Globo. Ela acabou se tornando uma novela cult. Até hoje muita gente comenta as tramas, os desempenhos dos atores, muitas cenas... Quando reprisada no Vale a Pena Ver de Novo, a novela teve uma audiência muito alta.

 

Jéfferson Balbino: Que dificuldades houve pra vocês conduzirem a emblemática novela “Próxima Vítima” (Rede Globo/1995)?

Alcides Nogueira: Nessa novela do Silvio, novamente se juntou o trio ele, Maria Adelaide e eu. A novela é muito densa, mas não sofremos nem um pouco com a escrita. O Silvio sabia exatamente o que queria de cada situação. Ao mesmo tempo, Maria Adelaide e eu tínhamos toda a liberdade para criar. Houve harmonia durante todo o tempo, apesar da estiva que é escrever uma novela, ainda mais quando se trata de um thriller, onde TODOS os detalhes são fundamentais... e temos de andar com muito cuidado, para evitar pisar em falso. “Próxima Vítima” é uma telenovela primorosa, um marco em nossa televisão. E só posso me sentir feliz por ter participado dela. Sei que Maria Adelaide pensa o mesmo. Há pouco, participei do OBITEL – Observatório Internacional de Teledramaturgia, e os pesquisadores de Portugal mostraram a importância de “Próxima Vítima” no desenvolvimento da narrativa teledramatúrgica portuguesa. A história fez um sucesso incrível no mundo todo. Eu me lembro perfeitamente da noite em que foi ao ar o último capítulo, quando se revelava o serial killer. O Brasil literalmente parou! As ruas estavam vazias, com todo mundo grudado na telinha. Essa emoção a gente não esquece nunca!

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Jéfferson Balbino: Como foi a parceira sua com a autora Maria Adelaide Amaral nas minisséries: “Um Só Coração” (Rede Globo/2004) e “JK” (Rede Globo/2006)?

Alcides Nogueira:  Conheço Maria Adelaide há muito tempo. Trabalhamos na Editora Abril, em São Paulo, na mesma época... e o teatro sempre foi um laço entre nós. Na televisão, nós dois escrevemos com Silvio de Abreu, e ele foi o supervisor de nossas primeiras novelas: “O Amor está no Ar”, minha; e o remake de “Anjo Mau”, dela. Quando Maria Adelaide me perguntou o que eu achava de ser parceiro dela em “Um Só Coração”, eu respondi: “é um sonho!”. E foi. Tanto que repetimos a parceria em “JK”. Trabalhar com Maria Adelaide nunca significa sofrimento. Claro que nós dois suamos muito. Mas muito mesmo. São duas minisséries complexas, que exigiram muito de nós. Tivemos que lidar com a história e a ficção ao mesmo tempo, mesclando uma com a outra, sempre preocupados com a fidelidade aos fatos, mesmo quando romanceados. Isso não é fácil. Mas a sintonia entre a gente sempre foi muito grande. E essa sintonia existiu porque temos muitos interesses em comum: livros, peças, filmes... Trafegamos por universos muito próximos... Enfim, houve e há uma facilidade muito grande na comunicação. Além disso, Maria Adelaide possui uma força de trabalho inacreditável! Está sempre disposta. Mas acho que o ponto mais importante foi o respeito mútuo que sempre mantivemos.   

 

Jéfferson Balbino: No que você se inspirou pra usar como fio condutor a possibilidade de vida extraterrestre na novela “O Amor está no Ar” (Rede Globo/1997)?

Alcides Nogueira:  O tema é instigante. Faz parte do meu imaginário e, acho, do de muitas pessoas. É muita presunção o homem achar que é o único habitante do universo. Mas a proposta da novela foi melhor do que a realização. Não estou tirando o corpo fora, não. Hoje eu faria diferente, voltaria ao que eu queria desde o início: que ficasse a dúvida se Luiza (Natália Lage) tinha sido abduzida ou não... e se João (Eriberto Leão) era um extraterrestre ou não. Uma trama que eu gostava muito era o romance entre Sofia (Beth Lago) e Léo (Rodrigo Santoro), o namorado da sua filha... Acho que essa situação foi explorada com muito tato. Além disso, a novela trouxe para a telinha a cultura judaica, com todo o respeito e cuidado. Contei com dois autores muito talentosos na equipe: Bosco Brasil e Filipe Miguez. E foi a primeira direção-geral do Ignácio Coqueiro.   

 

Jéfferson Balbino: Seu trabalho seguinte na TV Globo foi na co-autoria da novela “Torre de Babel” (1998) que era uma trama forte que enfocava principalmente a estratificação social. Como era a rotina de vocês durante essa produção?

Alcides Nogueira:  Eu e Bosco Brasil estávamos com o Silvio de Abreu. Realmente a trama era forte. A novela foi polêmica. E havia uma pressão muito grande. Não é fácil escrever nesse clima. Gosto muitíssimo de “Torre de Babel”. É uma novela que mexeu com muitas estruturas. Um grande momento do Silvio de Abreu. Ele foi corajoso, arrojado, contou uma história dura, mas temperada com humor requintado... Para mim, “Torre de Babel” é uma produção que marca um novo momento na teledramaturgia brasileira.

 

Jéfferson Balbino: Com o Silvio de Abreu você também escreveu em 2001 a novela “As Filhas da Mãe” (Rede Globo), que teve um elenco pré-escalado. O que motivou vocês a inovar com esse fato, e assim criar os personagens baseados na característica do ator que ia interpretar?

Alcides Nogueira: Tenho certeza de que, um dia, a novela “As Filhas da Mãe” será vista como merece: como um trabalho inovador, que procurou uma nova narrativa, uma maneira diferente de se contar uma história. Com humor, com musicalidade, com invenção. Foi maravilhoso escrever para os atores e atrizes já escalados. A gente conhecia o tom da voz, o jeito de cada um (uma)... Foi a novela mais lúdica que escrevi. Era uma brincadeira maravilhosa. E o elenco se divertiu tanto quanto nós. Jorge Fernando, na direção, deu um banho! Eu adoro humor. Em “Filhas da Mãe” eu me esbaldei.

 

Jéfferson Balbino: Como você acha que a sociedade brasileira vem sendo representada na teledramaturgia?

Alcides Nogueira: Muita gente critica a teledramaturgia, alegando que nós, os autores, douramos a pílula do quotidiano. Realmente muitas vezes isso acontece. Mas não podemos deixar de lado a importância que a teledramaturgia tem na discussão de muitos temas cruciais. E avançar nessa discussão. Mesmo com a grande inclusão social que aconteceu recentemente no Brasil, a televisão continua sendo não só o grande canal de entretenimento da população, mas o veículo de comunicação dessas pessoas. Por isso o papel relevante que a teledramaturgia representa. O que exige de nós, autores, uma responsabilidade imensa. A televisão é um veículo invasivo. É diferente do teatro e do cinema, que fazem com que o público saia de casa, vá até as salas etc... A televisão já está DENTRO da casa. 

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Escrito por Jéfferson Balbino às 16h56 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Entrevista Especial com ALCIDES NOGUEIRA - Parte 3

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Alcides Nogueira e Lygia Fagundes Telles no lançamento da novela "Ciranda de Pedra"

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Jéfferson Balbino: Recentemente, em 2008, você trouxe aos telespectadores a belíssima novela “Ciranda de Pedra” (Rede Globo) que é uma trama inspirada na obra homônima da autora Lygia Fagundes Telles. Até que ponto uma adaptação deve ser fiel a obra original?

Alcides Nogueira: Essa é uma discussão muito interessante. Quando a Globo me chamou para fazer “Ciranda de Pedra”, deixei claro que não seria um remake da novela do Teixeira Filho (de 1981). Até porque eu não vi a novela (estava passando um tempo na Europa e voltei no final desse ano, quando fui trabalhar no Departamento Comercial da Globo, como contei)... Li os capítulos, quando trabalhava na minha versão, que seria completamente nova. O Teixeira focou sua narrativa na diferença de classes; eu me fixei mais no aspecto psicológico da obra da Lygia Fagundes Telles. A Lygia me deixou totalmente à vontade para escrever a minha história. E foi um privilégio poder trocar figurinhas com uma das maiores escritoras do Brasil. O livro é uma obra-prima. Mas denso. Ainda mais para o horário das 18. Ele trata de doenças mentais, de eutanásia, de suicídio, de homossexualismo, de impotência, de solidão... Como colocar isso de maneira a, de um lado não provocar embates com a classificação etária, e, de outro, conseguir a empatia do espectador? Nem sempre quem lê um livro vê uma novela; e vice-versa. Eu posso criar situações novas – principalmente de humor e emoção – para “embalar” todas essas questões, mas não posso trair o livro da Lygia. Foi um desafio e tanto, mas eu gosto dessas situações difíceis. Fora que escrevi com Mario Teixeira, Lúcio Manfredi e Cristiane Dantas, grandes e talentosos companheiros de trabalho. Usando metáforas, acho que consegui colocar tudo o que há na obra original, inclusive a eutanásia e o suicídio (nas cenas de Laura e Daniel se deixando levar pelas águas do mar) e a opção sexual de Letícia, quando ela parte do Brasil com uma amiga. No livro, Laura morre no começo da história... Mas preferi ir com ela até o último capítulo porque, para mim (com a concordância de Lygia), o peso de Laura era igual ao da filha Virgínia. Interessava mostrar a relação entre mãe e filha. Muita gente questionou a escalação de Ana Paula Arósio, como Laura, achando que era muito jovem para ser mãe de uma pré-adolescente. Artista não tem idade. Fora que, na época em que se passa a história, as mulheres se casavam e eram mães muito cedo. Jovens ainda. Ana Paula deu um brilho muito especial à novela. Ela é uma atriz fantástica. Sou totalmente apaixonado pelo que ela faz. Fora ser belíssima, Ana Paula tem inteligência cênica, descobre a chave exata de cada personagem que interpreta... E formou um trio fantástico com Daniel Dantas e Marcello Antony. O elenco todo era precioso, e a direção-geral de Carlos Araújo uma das mais sofisticadas que já vi na televisão brasileira. “Ciranda de Pedra” não foi uma novela usual, nem simples. Ainda bem!   

 

Jéfferson Balbino: Agora em agosto eu fiz uma entrevista com o ator Mauricio Machado que está em cartaz com a peça “As Traças da Paixão” que leva a sua autoria e ele me disse que seu texto é muito genial. Que avaliação você faz desse talentoso ator?

Alcides Nogueira: Ah, o Maurício é suspeito para falar do texto (risos). Ele e Lucélia são dois furacões em cena. Li a entrevista do Maurício e fiquei emocionado com as palavras dele. Ele tem um talento incrível, que vem sendo burilado a cada trabalho... Maurício é inquieto na criação, e gosto muito disso. Quer sempre o melhor, e batalha, corre atrás, não fica no piloto automático. Basta ver como ele fez crescer o Pink, de “Cama de Gato”. Que sucesso merecido! É um privilégio ter Maurício em minha peça, junto com a Lucélia, que é das maiores atrizes que conheço. Os dois formam uma dupla que brilha! Há uma sintonia incrível entre eles... E isso sempre é um presente para todo mundo: autor, diretor, público...

 

Jéfferson Balbino: Na onde você busca tanta criatividade na hora de escrever?

Alcides Nogueira: Escrevo desde menino. Aprendi a ler e a escrever sozinho, vendo meus irmãos mais velhos. Quando entrei na escola, já estava alfabetizado. Sem dúvida eu já buscava, desde a infância, esse meu elo com o mundo. Porque a criação é que me dá o espaço na vida. Assim, é como se meus poros estivessem constantemente abertos, absorvendo o que depois vira palavra, imagem, emoção... E também o baú de tudo o que mexe comigo: relações humanas, livros, filmes, peças de teatro, músicas, pinturas, esculturas, conversas de boteco, gibis, novelas, minisséries que assisto, notícias dos jornais, blogs... Tudo isso é matéria prima para a criação. É com o que abasteço a cabeça e o coração...

 

Jéfferson Balbino: O setor de teledramaturgia apresenta um constante crescimento, pois as emissoras brasileiras vem cada vez mais investindo no gênero. Com isso você aceitaria um eventual convite para escrever novela em outra emissora?

Alcides Nogueira:  É super importante esse crescimento da teledramaturgia. Não podemos nos esquecer que ninguém faz novela como os brasileiros. Eu me sinto muito bem na Globo. Sempre fui respeitado, fiz grandes amizades lá... Já recebi muitos convites, bem interessantes, de outras emissoras. Mas a Globo tem dado um suporte muito bacana para a minha criação.   

 

Jéfferson Balbino: E o que você pode adiantar da nova novela que você está escrevendo para o horário das seis da TV Globo?

Alcides Nogueira:  É uma novela minha e do Mario Teixeira, que fez parte da equipe de “Ciranda de Pedra”. Um autor que respeito muito. A novela, ainda sem título, será ambientada no interior de São Paulo. Em uma cidade fictícia, rica, pujante... Trata-se de uma grande e bela história de amor, com direito a muitas emoções. 

 

Jéfferson Balbino: Qual é a novela que você escreveu que você considera sua melhor obra?

Alcides Nogueira: Fico dividido entre “Força de um Desejo” e “Ciranda de Pedra”. Em ambas eu me realizei como autor. Acho que esse é o parâmetro. Também adorei ter escrito as minisséries com Maria Adelaide Amaral, principalmente “Um Só Coração”, cujo universo me toca especialmente.

 

Jéfferson Balbino: E entre os inúmeros personagens que você criou, qual é o que você tem um carinho mais especial?

Alcides Nogueira:  Essa pergunta não vale! Tenho carinho por todos... Sempre há um pouco do autor em cada personagem que ele cria. Essa eu passo, tá?

 

Jéfferson Balbino: Pra finalizar a nossa tradicional pergunta: Qual foi a melhor novela que você assistiu?

Alcides Nogueira:  São tantas as novelas que me marcaram... Claro que vou cometer omissões... “Escalada”, “Roque Santeiro”, “Próxima Vítima”, “Nina”, “O Casarão”, “Que Rei Sou Eu?”, “O Rebu”, “Dancing Days”, “Vale Tudo”, “Selva de Pedra”... Muitas, muitas... “Senhora do Destino”, “A Favorita”, “Guerra dos Sexos”... Há uma novela do Gilberto Braga que me pega muito: “Brilhante”. A sequência inicial, que mostra Inácio (Dennis Carvalho) chegando, meio bêbado, de uma sauna gay, enquanto sua mãe, Chica Newman (Fernanda Montenegro) lê Proust, é genial!

 

Jéfferson Balbino: Alcides, muito obrigado por conceder essa entrevista. Foi uma grande honra te entrevistar. Saiba que sempre fui fã dos seus trabalhos. Muito sucesso sempre.

Alcides Nogueira: Jéfferson, eu é que me sinto feliz por estar em seu site, que tanto colabora para que a teledramaturgia seja encarada seriamente. Como deve ser. Obrigado pelo espaço, pelo carinho, pela elegância e inteligência das perguntas. Um beijão.

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Lucélia Santos e Alcides Nogueira na estreia da peça "As Traças da Paixão" (Crédito: Aladim Miguel/Arquivo Lucélia Santos)

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Escrito por Jéfferson Balbino às 16h49 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Entrevista Especial - NO MUNDO DOS FAMOSOS

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Dia 11 de Setembro

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Na próxima semana eu entrevisto o conceituado ator EDWIN LUISI, que atou em diversas novelas de sucesso da televisão brasileira.

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OUTRAS ENTREVISTAS

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Pra você que perdeu as outras entrevistas realizadas por mim aqui NO MUNDO DOS FAMOSOS, aí vai o link de cada uma pra você poder ler, ou reler novamente. Clique em cima do nome do entrevistado para ler a Entrevista Especial realizada.

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1 - NILSON XAVIER (escritor)

2 - MARGARETH BOURY (autora de novelas)

3 - REYNALDO BOURY (diretor de TV)

4 - BABI XAVIER (atriz/apresentadora)

5 - NÉLIO JÚNIOR (jornalista/repórter de TV)

6 - MARCÍLIO MORAES (autor de novelas)

7 - RICARDO LINHARES (autor de novelas)

8 - ANA MARIA MORETZSOHN (autora de novelas)

9 - DUCA RACHID (autora de novelas)

10 - ADA CHASELIOV (atriz)

11 - MAYRA DIAS GOMES (escritora)

12 - THELMA GUEDES (autora de novelas)

13 – ANDRÉ REBELLO (ator)

14 – KADU MOLITERNO (ator)

15 - MAURICIO MACHADO (ator)

16 - LAURO CÉSAR MUNIZ (autor de novelas)

17 - STELLA FREITAS (atriz)

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Escrito por Jéfferson Balbino às 16h34 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Emoção nas Novelas: Ana Raio e Zé Trovão

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Capítulo 76, quinta-feira, 02/09

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Ranulfo ouve a conversa e proíbe Helena de procurar Zé Trovão. Preocupada com o sofrimento da amiga e revoltada com a decisão de Ranulfo, ela ameaça contar toda a verdade para o peão. Gorda decide ir até São Miguel das Missões e Bobi a acompanha. Niltinho conhece a professorinha da cidade e decide conhecê-la melhor. Gorda chega a São Miguel, mas não encontra o cemitério onde acredita que os pais de Zé Trovão estão sepultados. Daniel observa a conversa entre Dolores e Zé Trovão e ouve quando ele pede segredo sobre a paternidade. Gorda conta para Bobi o que a velha Biga disse sobre Verônica e diz que desconfia que Dolores tem mentido durante todos esses anos. Apaixonada, Malvina diz a Ana que não pretende desistir de Daniel, mesmo sabendo que ele gosta de Dolores. Ubiratan conversa com Leopoldo e levanta a hipótese de Maria Lua ter ido para Santa Rosa. Leopoldo decide ir até lá para procurar pela filha, mas Ubiratan o convence a ficar e promete encontrar a menina. Elomar convida Andorinha para ir até o bordel e, chegando lá, ele reencontra sua irmã, Marlene, que trabalha como prostituta no local.

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Escrito por Jéfferson Balbino às 16h09 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Grande Ator: SÉRGIO BRITTO

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Grande Ator: SÉRGIO BRITTO

 

Um dos maiores nomes do teatro, cinema e televisão é o grande ator Sérgio Britto. Atualmente com 87 anos de idade o ator acumula um invejável currículo com grandes obras. Ele que além de ator, ainda é diretor, roteirista e apresentador, participou de grandes novelas como: “Pantanal” (Rede Manchete/1990), “Escalada” (Rede Globo/1975), “A Indomada” (Rede Globo/1997), “Vidas Cruzadas” (Rede Record/2000) entre outras... No teatro interpretou personagens de William Shakespeare No cinema já atuou em 16 longas... Ele é formado em Medicina, tem uma sólida e duradoura carreira, agora em agosto o ator lançou sua auto-biografia intitulada de “O Teatro e Eu – Memórias” onde ele fala de seus 65 anos de carreira e de sua vida, onde relata sua orientação sexual. Atualmente o ator tem um programa cultural na TV Brasil, o “Arte com Sérgio Britto”. Ele sem dúvida é um dos melhores artistas de todos os tempos do Brasil.  

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Escrito por Jéfferson Balbino às 15h47 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Boletim da TV

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Boletim da TV

 

Nota DEZ

 

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Além da novela “A História de Ana Raio e Zé Trovão” (SBT) outra novela que está arrasando na tela da TV brasileira é a novela “Passione” (TV Globo), a trama de Silvio de Abreu é repleta de elementos ficcionais que prende a atenção dos telespectadores. É uma trama bem amarrada com várias reviravoltas e personagens que o público se identifica. A novela está se recuperando na audiência e já tem tudo para ser uma das melhores novelas da teledramaturgia brasileira.

 

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Imagem

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Nota ZERO

 

Em compensação a nova temporada da trama teen “Malhação” estreou deixando muito a desejar – como sempre. Por mais que haja algumas mudanças em seu enredo a essência do formato é a mesma, e isso é muito desgastante para o telespectador. Por ter uma audiência satisfatória para o horário e retorno com fortes anunciantes a TV Globo ainda continua investindo pesado na produção. Porém, a uma grande necessidade de fazer um novo programa dramatúrgico pra substituir algo já tão ultrapassado...

 

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Escrito por Jéfferson Balbino às 15h13 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Fofoca dos Famosos: John Travolta é gay

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Fofoca dos Famosos: John Travolta é gay

 

Uma noticia abalou o mundo dos famosos, a revista americana “National Enquirer” afirma que o ator John Travolta trai sua esposa com homens. A informação foi dada por Robert Randolph, que escreve uma biografia não autorizada sobre o ator americano. O biografo garante que John é um freqüentador assíduo de Spa’s gay, e que traí com homens, sua esposa Kelly Preston há muito tempo. A esposa do ator está grávida de 6 meses.

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Escrito por Jéfferson Balbino às 14h25 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Audiencia das Novelas

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Escrito por Jéfferson Balbino às 13h48 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Bastidores da TV: TV Globo não contratou Palminrinha Onofre

Palmirinha Onofre diz que se a Globo chamar, ela vai - Reprodução

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Bastidores da TV: TV Globo não contratou Palminrinha Onofre

 

A TV Globo desmentiu a suposta contratação da apresentadora e culinarista Palmirinha Onofre. A emissora afirmou que não houve nenhuma negociação, e que essa informação sobre a eventual contratação da apresentadora para integrar a equipe do programa “Mais Você” não passou de um grande boato. Na coletiva de imprensa que a apresentadora deu nessa semana, ela afirmou que deixou a TV Gazeta porque seu contrato expirou e não houve renovação. Ela ainda chorou durante a coletiva pelo fato da emissora não ter deixado ela se despedir de seu público. A apresentadora, que tem 79 anos de idade, alegou que caso venha receber convite para trabalhar na TV Globo ela irá aceitar, por enquanto ela vai descansar curtindo uma viagem pra Itália e Portugal, ela ainda pretende lançar sua biografia e um livro de receitas. E garantiu que o público não irá vê-la ‘gagá’...

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Escrito por Jéfferson Balbino às 13h01 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Entrevista Especial - NO MUNDO DOS FAMOSOS

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Entrevista Especial – NO MUNDO DOS FAMOSOS

 

 

Em virtude de alguns pedidos que recebi (através de comentários e no e-mail do blog) resolvi postar hoje a “Entrevista Especial com ALCIDES NOGUEIRA”, então daqui a pouco você irá conferir uma belíssima entrevista com um grande autor de novelas da TV Globo.

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Escrito por Jéfferson Balbino às 12h45 [ ] [ envie esta mensagem ] []