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BRASIL, Sul, JACAREZINHO, Homem, de 15 a 19 anos, Informática e Internet, Música, TV e Novelas

Entrevista Especial com MARCÍLIO MORAES - Parte 1

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O nosso entrevistado especial de hoje é um dos mais renomados autores de novelas do nosso país. É um dos ícones da teledramaturgia brasileira, escreveu diversas novelas, diversos personagens que marcou muito os telespectadores. E que a partir do próximo dia 18 de Maio está de volta na tela da Rede Record pra contar a instigante história de Ribeirão do Tempo, sua próxima novela que já é uma promessa de sucesso.

 

Jéfferson Balbino - Marcílio conta um pouco pra gente como você começou essa fascinante carreira de escritor de novelas?

Marcílio Moraes: Comecei escrevendo contos, ainda na década de sessenta do século passado, e peças teatrais, na década de setenta. Nesta época nem pensava em televisão. Na década de oitenta, já com três filhos, me dei conta de que, se não fosse na televisão,  jamais conseguiria viver como escritor. Fiz um curso de roteiro e li alguns livros sobre o assunto. Como já era um dramaturgo experiente, no teatro, não tive nenhuma dificuldade em dominar a linguagem televisiva. A oportunidade de entrar na Globo veio através do poeta Ferreira Gullar. Ele estava escrevendo uma minissérie e precisava de alguém para ajudá-lo. Um amigo comum nos apresentou, ele gostou do meu trabalho e assim assinei meu primeiro contrato. Foi em 1984. No ano seguinte, o Gullar me recomendou ao Dias Gomes, que me convidou para ser colaborador em Roque Santeiro.

 

 

 

Jéfferson Balbino - Como é o seu trabalho como presidente da Associação dos Roteiristas?

Marcílio Moraes: A Associação tem uma vida sobretudo virtual, através da lista na internet, onde os autores-roteiristas discutem seus problemas, perspectivas, reivindicações, etc. Quer dizer que a maior parte do meu trabalho na AR também é feito no computador. Eventualmente, represento a entidade em seminários e encontros nacionais e internacionais. No ano passado, por exemplo, estive na Grécia, representando o Brasil num encontro mundial de autores-roteiristas.

Aproveito para convidar a todos para visitar nosso site: www.ar.art.br

 

 

Jéfferson Balbino - Marcilio você fez muitos trabalhos pra televisão com o grande e saudoso Dias Gomes. Como foi essa experiência?

Marcílio Moraes: O Dias era um dramaturgo excepcional. Aprendi muito com ele nos vários trabalhos que fizemos juntos: Roque Santeiro, Mandala, Noivas de Copacabana, Irmãos Coragem, Dona Flor e Seus Dois Maridos. Foi a pessoa com quem mais trabalhei, em termos de co-autoria. Além da competência profissional, o Dias era uma pessoa divertida, culta, bem humorada, com uma visão de mundo muito crítica. A morte dele foi uma grande perda. Claro que tivemos também momentos difíceis, de discordâncias graves, principalmente na novela Mandala. Mas foi tudo superado.

 

 

Jéfferson Balbino - Por falar em Dias Gomes, quando vocês escreviam a novela Roque Santeiro, houve um desentendimento interno entre Dias e Aguinaldo Silva, e você era um dos colaboradores da novela, essa briga entre eles chegou abalar você e outros setores da produção da novela?

Marcílio Moraes: Fui convidado para colaborar em Roque Santeiro pelo Dias Gomes que, como já contei acima, me tinha sido apresentado pelo Ferreira Gullar.

Então minha ligação e meu compromisso na novela era fundamentalmente como Dias. O Dias era o autor inconteste de Roque Santeiro, não só porque a história se baseava numa peça dele como porque ele já tinha escrito 51 capítulos, da versão que foi proibida, em 1975.  Em 1985, ele já não tinha muita paciência para escrever novelas e estava montando a Casa de Criação da Globo. Então, criou uma equipe para escrever a novela, encabeçada pelo Aguinaldo. Acontece que o Aguinaldo, porque conduziu a novela a partir do que já estava escrito, sob a supervisão constante do Dias, que fique claro, passou a se considerar o autor da trama.

O Aguinaldo encabeçou a novela entre os capítulos 51 e o 160, mais ou menos. Aí foi afastado e o Dias reassumiu. O Aguinaldo guardou um enorme rancor disso e passou a atacar violentamente o Dias pela imprensa. Foi uma total baixaria

Eu e o Joaquim Assis, que éramos os colaboradores, continuamos com o Dias até o fim, ou seja, até o capítulo 214. Claro que isso tudo foi muito desagradável e abalou todo mundo que estava envolvido.

 

 

Jéfferson Balbino - Como era seu tabalho de colaborador em Roque Santeiro?

Marcílio Moraes: Como já disse, quando entrei na televisão, eu já era um dramaturgo experiente. Roque Santeiro foi a única novela em que de fato trabalhei como colaborador. O colaborador é aquele que faz os diálogos, principalmente. O Autor elabora uma escaleta, ou seja, a estrutura do capítulo e o colaborador dialoga. Desta forma, escrevi 30 capítulos de Roque Santeiro.

O colaborador também costuma participar de reuniões com o autor onde são discutidos os caminhos da trama. Eu contribuí muito com idéias e análises dramatúrgicas em Roque Santeiro. Por exemplo, influenciei bastante o capítulo final. Lembro que eu tinha estudado muito a peça “O Berço do Herói”, do Dias, de onde saiu a novela. Então, quando discutimos como finalizar a trama, argumentei com o Dias que o aspecto mais importante da peça e da novela era a crítica ao mito do herói. Como todo mundo sabe, Roque era um pilantra que foi feito herói da cidade. Sendo assim, ele não podia terminar como um herói salvador, porque se perderia o espírito crítico. Sugeri ao Dias que fizesse alguma coisa parecida com a história daquele filme “O Homem que Matou o Facínora”, do John Ford. Ele gostou da idéia e escreveu aquele último capítulo cheio de ironia.

 

 

 

Jéfferson Balbino - No ano passado eu entrevistei a sua colega de emissora a autora Margareth Boury, que disse que o colaborador "é pensar como o cabeça da equipe, é não ter ego e saber que mesmo que a sua cena seja a cena mais brilhante do capítulo, o mérito vai pro autor", como você que já foi colaborador e hoje é o autor principal vê o papel dos colaboradores numa novela?

Marcílio Moraes: Distingo três funções na escritura de uma telenovela. Tem o autor, eventualmente um co-autor e o colaborador.

O autor é aquele que inventa a história e a conduz. Em geral é também quem faz as escaletas dos capítulos, ainda que alguns possam delegar esta tarefa.

O co-autor, se houver, ajuda o autor a inventar e/ou estruturar a novela. Ambos também escrevem diálogos.

O colaborador faz basicamente diálogos, podendo às vezes dar sugestões e idéias, se é dos bons. Como já contei, só em Roque Santeiro exerci a função de colaborador. Em todas as demais novelas de que participei, fui autor ou co-autor, embora isso nem sempre seja reconhecido em publicações. Em Roda de Fogo, por exemplo, os créditos que eu e o Lauro acordamos foi: novela de Lauro Cesar Muniz, escrita por Marcilio Moraes e Lauro Cesar Muniz. Meu nome vinha na frente na escritura porque eu escrevi a sinopse inicial e os dez primeiros capítulos. Mas como o Lauro tinha muito mais nome que eu, naturalmente, acabei sendo abafado. A divisão de direitos – que é um argumento definitivo nestes casos – é 60% para o Lauro e 40% para mim. Em Mandala, assumi a novela a partir do capítulo 26. A divisão de direitos era 50% para o Dias e 50 para mim.

 

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Escrito por Jéfferson Balbino às 15h29 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Entrevista Especial com MARCÍLIO MORAES - Parte 2

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 Vidas Opostas (2007 - Rede Record)

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Jéfferson Balbino - Você escreveu uma das melhores novelas brasileiras que foi Vidas Opostas, que lhe rendeu vários méritos e prêmios inclusive o Troféu Imprensa de Melhor Novela. Como foi escrever uma novela com elementos tão fortes?

Marcílio Moraes: No início fiquei um pouco apreensivo, porque era uma novela que rompia dogmas de décadas na produção de telenovelas. Na Globo, o projeto jamais seria aprovado. E era ousado mesmo. Metade dos meus personagens eram favelados. Num gênero em que praticamente só se retratava a alta classe média, com alguns pobres folclóricos, era uma mudança radical. No entanto, eu tinha bolado uma boa história e deu certo. Foi um extraordinário prazer escrever aquela novela. Era como se eu dissesse para aqueles executivos limitados da Globo: olha, também se pode botar gente do povo de verdade no horário nobre.

 

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 Sonho Meu (1993 - TV Globo)

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Jéfferson Balbino - Marcílio, tinha mesmo que matar o personagem Jéferson (Angelo Paes Leme) na novela Vidas Opostas (risos) é que nunca um personagem levou meu nome, e quando leva é morto na história (risos)? No que você se inspirou pra criar ele e o Jackson (Heitor Matinez)?

Marcílio Moraes: A morte do Jéferson era fundamental para o andamento da história. Não me inspirei propriamente em ninguém para criá-los. Eles foram surgindo. Primeiro apenas o Jéferson, que era aquele que morreria. Depois pensei: preciso de alguém para ficar no lugar dele, quando desaparecer. Aí surgiu o Jacson. Foi mais ou menos assim.

 

Jéfferson Balbino - Como foi fazer essa adaptação das obras literárias de José de Alencar?

Marcílio Moraes: Foi uma experiência muito rica. Eu gosto muito da literatura do século XIX e poder levar um pouco dela às telas foi um presente. Havia poucos recursos, em termos de produção, mas o resultado foi excelente. Pena que seja pouco valorizado pela Record.

 

 

Jéfferson Balbino - Como é o processo de criação dos seus personagens?

Marcílio Moraes: No que começo a pensar na trama, os personagens vão vindo à minha imaginação. Tenho muita facilidade em criá-los. Alguns se inspiram em pessoas que conheci ou de quem ouvi falar. Outros brotam apenas do fundo do meu inconsciente. E há ainda os que surgem de necessidades funcionais específicas para o desenrolar da trama, ao lado de  outros que aparecem independentemente de qualquer trama e geram eles próprios novos desdobramentos. Não há uma regra. Sei que adoro criar personagens.

 

 

Jéfferson Balbino - Quando você escreve uma novela, existe algum personagem que você se identifica mais, que é mais querido pra você?

Marcílio Moraes: De um modo geral eu gosto de todos. Me fascina buscar a humanidade mesmo daqueles mais repulsivos ou insignificantes. Todo escritor, de alguma forma, é adepto daquela máxima do poeta romano da Antiguidade, Terêncio: nada que é humano me é estranho. Sendo assim, procuro amar todos os personagens que crio.

 

 

Jéfferson Balbino - Na sua opinião quais são elementos que uma novela deve ter pra ser um sucesso?

Marcílio Moraes: É uma pergunta extremamente difícil, porque você vê por aí novelas com elementos inteiramente diversos entre si se igualarem no sucesso ou no fracasso.

Mas vou arriscar dizendo que o fundamental é que a novela propicie uma identificação do seu universo e dos seus personagens com o público. Sem identificação, não há sucesso.

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 Roda de Fogo (1986 - TV Globo)

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Escrito por Jéfferson Balbino às 15h14 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Entrevista Especial com MARCILIO MORAES - Parte 3

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Jéfferson Balbino - Como é a sua relação com a equipe da novela (diretores, atores, etc...)?

Marcílio Moraes: A relação do autor com a equipe é, por natureza, problemática. Veja bem, eu não disse que é ruim ou boa, é problemática, no sentido de que é complexa. O autor cria um universo que vai ser realizado e habitado por outros, os diretores, os atores, os técnicos. Ele é ao mesmo tempo todo poderoso e completamente impotente, no sentido de que tem que botar na mão de outrem aquilo que cria. A possibilidade dessa circunstância gerar conflitos é enorme. Procuro fazer com que minha relação com a equipe seja sempre agradável, aberta e construtiva. Mas numa novela, tenho consciência de que é preciso que o autor esteja com as rédeas na mão, senão o desastre será inevitável.

 

 

Jéfferson Balbino - O que foi que te motivou a trocar a Globo pela Record?

Marcílio Moraes: Não houve propriamente uma troca. Entrei na Globo em 1984 e saí em 2002. É uma empresa fabulosa, mas muito estratificada. O jogo de poder lá é muito forte. Então, ao longo do tempo, foram se criando atritos com alguns executivos. A gente vai enchendo o saco de certos papos idiotas, não é verdade? O que eu queria fazer, eles não deixavam; o que eles queriam que  eu fizesse, eu não estava a fim. Até que, em 2002, não renovamos o contrato. Há muito mais  coisa por trás disso. Não dá para contar aqui. Quando escrever minhas memórias, relato. O fato é que eu saí da Globo em 2002. E foi muito bom. Fiquei três anos fora da televisão. Foi um períodos, digamos, de desintoxicação, muito criativo. Escrevi e publiquei um romance, “O Crime da Gávea”. Voltei a escrever teatro. Li e pensei muito. Me dediquei à construção da Associação dos Roteiristas, etc. Em 2005, fui chamado pela Record e voltei à televisão. O que veio muito a calhar, não apenas para mim, pessoalmente, mas para a luta que eu vinha travando há anos pela expansão do mercado na televisão aberta brasileira, pelo fim do monopólio global. Pude concretamente contribuir para o surgimento de uma alternativa no mercado de trabalho do nosso audiovisual.

 

 

Jéfferson Balbino - E como foi dividir com Rosane Lima a autoria da novela Essas Mulheres?

Marcílio Moraes: A Rosane é uma escritora muito competente. A circunstância que nos uniu numa novela foi bastante delicada, mas conseguimos nos sair bem. Ela tinha sido chamada para escrever “Essas Mulheres”, reunião de três romances de José de Alencar, idéia do Herval Rossano. Acontece que a direção da Record não gostou dos primeiros capítulos que a Rosane apresentou. E eu fui chamado para assumir a novela. De acordo com o Código de Ética da Associação dos Roteiristas, a primeira coisa que fiz foi comunicá-la do convite. E fiz questão de mantê-la como co-autora. A experiência, profissionalmente falando, foi muito gratificante, embora, para ela, talvez tenha sido um tanto traumática.

 

 

 

Jéfferson Balbino - Como você avalia a teledramaturgia da concorrência?

Marcílio Moraes: A Globo tem patinado na própria exuberância. É tão grande, tão dominante, que ficou um tanto engessada. Daí que se vê pouca coisa de novo, de ousado por lá. O resultado é uma perda expressiva de audiência nos últimos anos.

Já o SBT não leva a sério a dramaturgia, o que é uma pena. E as demais sequer fazem ficção televisiva digna de nota.

 

 

 

Jéfferson Balbino - Como foi escrever a novela Roda de Fogo com Lauro César Muniz?

Marcílio Moraes: Acho que já respondi uma parte desta pergunta mais acima. O Lauro é um grande escritor. E nossa parceria, embora às vezes um tanto conflituosa, foi muito bem sucedida nessa experiência. Pena que minha real participação na novela tenha ficado obscurecida ao longo dos anos.

 

 

 

Jéfferson Balbino - Ao lado do Dias Gomes, você escreveu o remake da novela Irmãos Coragem, a novela não obteve tanto sucesso como na 1ª versão que foi escrita por Janete Clair. O que faltou nesse remake que não atraiu tanta audiência?

Marcílio Moraes: Escrevendo o remake de “Irmãos Coragem” eu descobri um dado surpreendente: a dimensão política desta novela da Janete Clair. Tradicionalmente se achava que, no casal Dias e Janete, ele era o político e ela a romântica. Mas Irmãos Coragem, que foi ao ar em 1969/70 , auge da ditadura e da guerrilha, mostra que esta era uma verdade relativa, porque a novela continha uma nítida metáfora da situação do país naquele momento. Na segunda metade dela o que se tem é um grupo de garimpeiros, na montanha, armados, lutando contra a polícia e a elite corrupta e opressora da cidade. Ou seja, guerrilheiros armados contra o poder ditatorial. O que aconteceu com o remake, em 1995, é que esta situação passou a ter um significado inteiramente diverso. Os garimpeiros armados nos morros passaram a evocar, não mais os heróis guerrilheiros,  mas os traficantes.

Este e outros aspectos, como problemas sérios de direção, dificultaram a adesão do público à novela.

 

 

Jéfferson Balbino - Foi sua a idéia de ambientar a novela Sonho Meu em Curitiba?

Marcílio Moraes: Não lembro exatamente. Mas acho que foi idéia da produção, ou da direção da Globo, por razões comerciais. Para mim, não fazia muita diferença.

 

 

Jéfferson Balbino - Segundo noticias da internet, a sua novela Sonho Meu chegou a ser cogitada por diversas vezes pra ser reprisada no Vale a Pena Ver de Novo, porém, essa reprise nunca aconteceu. É verdade que foi mesmo cogitada pra reprise?

Marcílio Moraes: Não posso responder. Estou afastado da Globo há muito tempo. Mas é uma questão: por que não reprisam, já que foi a segunda maior audiência da década de 90, no horário das seis horas? Vai ver, a Globo está adotando aquela política stalinista de fazer desaparecer determinadas pessoas indesejáveis da sua história... rs rs rs

 

 

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Escrito por Jéfferson Balbino às 14h45 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Entrevista Especial com MARCILIO MORAES - Parte 4

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Michel Ângelo/ Record

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Jéfferson Balbino - Falando em reprise, a Record interrompeu devido a baixa audiência a reprise da sua novela Essas Mulheres em 2007. Isso te desagradou?

Marcílio Moraes: Acho que ali houve dois equívocos. Primeiro, botar a novela em reprise à tarde, sem nenhuma preparação. Segundo, tendo posto no ar, não ter dado tempo para que o público descobrisse e se ligasse na novela.

Claro que o fato me desagradou.

 

 

Jéfferson Balbino - E como foi à parceria com Euclydes Marinho e Leonor Basseres na novela Mico Preto?

Marcílio Moraes: Aquela foi uma novela em que as circunstâncias externas – mais explicitamente, luta de poder dentro da emissora – foram extraordinariamente desagregadoras. Não dá para desenvolver aqui. Só digo que, se eu fosse contar as circunstâncias em que a novela foi feita, daria o título de “Crônica de uma novela assassinada”. Não por causa da Leonor e do Euclides, que fique bem claro, mas de outras circunstâncias. Essa é outra história que fica para as minhas memórias.

 

 

Jéfferson Balbino - Foi difícil escrever uma novela tão polêmica como Mandala?

Marcílio Moraes: Foi muito difícil, porque era uma idéia extraordinariamente ousada. Imagina, contar a história de um incesto de filho com mãe na novela da oito da Globo. E num tempo em que novela das oito ainda era efetivamente a novela das oito. Houve problemas de censura, interna e externa. Só para dar um exemplo, o Boni tinha se comprometido com a Censura Federal, que ainda existia naquele tempo, de que o incesto não aconteceria na novela. E não disse nada ao Dias nem a mim. O acordo com a Censura só me foi comunicado quando o Dias já tinha se afastado, como era previsto, e eu tinha assumido a novela. Fiquei com a bomba na mão.

Sendo como for, se o incesto tivesse acontecido, teria sido desastroso, porque o público não ia aceitar.

Acho que foi o maior desafio que eu enfrentei numa novela. Consegui levar a batalha a bom termo, com a inestimável ajuda do Sérgio Marques, que era meu colaborador. Mas me custou muito, inclusive em termos de saúde. Esse vai ser outro capítulo surpreendente das minhas “memórias”... rs rs rs

 

 

Jéfferson Balbino - Você foi co-autor em três minisséries: Dona Flor e Seus Dois Maridos, Chiquinha Gonzaga e As Noivas de Copacabana. Escrever minissérie é mais fácil mesmo como muitos autores dizem?

Marcílio Moraes: Eu não diria que é mais fácil, é diferente. Uma minissérie é uma obra fechada, que você pode fazer com mais cuidado, pode aprimorar a dramaturgia. A novela oferece outras possibilidades, como escrever ao mesmo tempo em que vai ao ar, o que proporciona uma adrenalina que não existe em nenhum outro gênero dramático ou literário. O problema é que é infindável.

 

 

Jéfferson Balbino - Você tem vontade escrever minisséries novamente?

Marcílio Moraes: Tenho vontade sim. Espero voltar a ter esta oportunidade. Idéias não me faltam.

 

 

Jéfferson Balbino - No ano passado você escreveu o seriado A Lei e o Crime, que foi um enorme sucesso, tanto que a Globo criou um seriado no mesmo molde. Ainda tem chance de A Lei e o Crime voltar numa nova temporada?

Marcílio Moraes: A segunda temporada estava acertada para este ano. Mas a Record achou que tinha mais necessidade de mim para escrever uma novela. Então o projeto ficou adiado para depois da novela. E eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para que aconteça.

 

 

Jéfferson Balbino - E o projeto do seriado virar filme vai se concretizar?

Marcílio Moraes: O filme é um projeto diverso do seriado, a ser realizado por uma produtora independente. Está em andamento.

 

 

Jéfferson Balbino - Com exceção das suas novelas, qual foi a melhor novela produzida pela Record, nessa nova fase?

Marcílio Moraes: Escolher uma significa excluir todas as demais. Me livra dessa, por favor.

 

 

Jéfferson Balbino - Marcílio, o que podemos esperar na sua próxima novela Ribeirão do Tempo, que estréia em Maio?

Marcílio Moraes: Antes de tudo é a história de uma cidade, a cidade de Ribeirão do Tempo, que vive um momento especial da sua longa história. De alguma forma, o grande protagonista da novela é o povo. Eu gosto disso. Em “Vidas Opostas”, o povo da favela era um dos protagonistas.

O que o público pode esperar de Ribeirão do Tempo é uma novela instigante. Talvez a novela mais instigante que já escrevi. Será uma história imprevisível, que mistura comédia, com política, com revolução, com esportes radicais, com o conflito entre tradição e modernidade, crimes e romances improváveis, etc.

 

 

Jéfferson Balbino - Pra encerrar, aquela tradicional pergunta das entrevistas do NO MUNDO DOS FAMOSOS. Qual foi a melhor novela que você assistiu na sua vida (incluindo as suas)?

Marcílio Moraes: Das minhas, Vidas Opostas. De outros, é difícil decidir. Talvez Pantanal, do Benedito, talvez O Astro, da Janete, O Bem Amado , do Dias. Não consigo me decidir por uma.

 

 

 

Jéfferson Balbino - Marcílio, muitíssimo obrigado por nos conceder essa entrevista. Quero que você saiba que eu sempre fui um incondicional admirador do seu trabalho, e te desejo muito sucesso em Ribeirão do Tempo, e pode contar com minha audiência nessa novela sua, que já tenho certeza que irei adorar. Muito obrigado!

 

 

Marcílio Moraes: Valeu. Abração Jéfferson.

 

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Escrito por Jéfferson Balbino às 14h32 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Novelas Inesquecíveis: VIDAS OPOSTAS

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Tem sempre uma novela que a gente sempre lembra, por ter sido tão marcante na nossa vida de telespectador, às vezes lembramos devido à uma música, outras vezes por ter no elenco aquela atriz ou aquele ator que a gente adora, outras vezes por ter aquele personagem que nos emociona, mais no caso dessa NOVELA INESQUECÍVEL que iremos relembrar hoje, sempre lembramos dela pelo conjunto da obra, devido a novela ter sido boa em todos os aspectos possíveis, ela trouxe uma nova linguagem do folhetim dramatúrgico, inovou devido sua originalidade em transportar os protagonistas para uma favela em pleno o horário nobre da televisão, com isso essa trama, escrita tão maravilhosamente pelo autor Marcilio Moraes, conseguiu uma grande proeza quebra tabus, ir contra o preconceito e mostrar uma realidade que muitos queriam esconder. Estou falando de um dos maiores sucesso da televisão brasileira nessa última década, a novela Vidas Opostas.

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Vidas Opostas foi uma telenovela brasileira produzida pela Rede Record, exibida de 21 de novembro de 2006 a 14 de agosto de 2007, contando com 240 capítulos. Foi escrita por Marcílio Moraes, com a colaboração de Luiz Carlos Maciel, Antônio Carlos de Fontoura, Joaquim Assis, Paula Richard e Melissa Cabral, e dirigida por Alexandre Avancini (durante a primeira fase) e Edgard Miranda. A trama retratou, entre outros temas, o amor dentre dois jovens de diferentes classes sociais, a corrupção policial e o tráfico de drogas. A trama apresentou Maytê Piragibe e Léo Rosa como protagonistas, como antagonistas teve Lavínia Vlasak,Marcelo Serrado e Heitor Martinez como antagonistas Ângelo Paes Leme foi o co-antagonista da novela.Gabriela Durlo Nicola Siri, Lucinha Lins e Roberta Santiago interpretaram os co-protagonistas da trama.

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A trama conta a história de Miguel, um jovem milionário, considerado gênio da matemática, que passou os últimos cinco anos fazendo doutorado na Inglaterra. Apaixonado por escaladas, quando volta ao Brasil pretende se dedicar a este esporte. Será numa escalada que conhecerá Joana. Ela é uma jovem guia de esportes de aventura, moça pobre, moradora de um prigoso morro num dos bairros mais conturbados da cidade do Rio de Janeiro. Apesar de já ser noivo da elegante e rica estilista Erínia, Miguel e Joana se apaixonam perdidamente um pelo outro. Seria apenas uma linda história de Cinderela, se Joana não tivesse que enfrentar um grave problema em sua vida. Anos antes, Joana tinha sido namorada de um colega de colégio que depois se tornou um perigoso e procurado traficante de drogas, o apaixonado e tarado Jéferson, que posteriormente foi preso e acabou passando 4 anos na cadeia. Tudo se complica quando Jéferson é solto justamente quando Miguel rompe seu noivado e começa a namorar Joana. O bandido volta ao morro onde morava liderando uma quadrilha de traficantes e toma numa batalha a boca de fumo, transformando-se no todo poderoso "gerente" do local. Neste momento resolve ter Joana de volta, à força se necessário, ameaçando Miguel de morte. Jéferson é um maníaco sexual, quer transar com Joana de novo a qualquer custo e quer que ela more com ele e seja dona do morro, mais ela não quer essa vida. Por outro lado, a ex-noiva de Miguel não se conforma com o rompimento e fará de tudo para separar o casal. Erínia é má e perigosa, capaz de tudo por dinheiro e por Miguel! Ao longo da novela, Jéferson fará muito mal ao casal, junto com Erínia. Por um tempo, Joana vai morar com ele e se torna sua mulher e Miguel vai morar com Erínia, só que eles descobrem a armação dos dois e se tornam amantes, pois se Joana se separar, Jéferson mata ela e Miguel e se Miguel se separar, Erínia conta pra Jéferson, e ele poderá matar Joana! O confronto de Miguel e Joana com o traficante resulta numa revolta da comunidade contra os bandidos e a morte deste, junto com um policial corrupto, Jorge. O acontecimento terá terríveis desdobramentos, atraindo contra o casal as mais absurdas acusações. Mas a novela não conta apenas a história de Miguel e Joana. Há muitos outros personagens entre românticos, engraçados e violentos, alguns pautando a vida por elevados princípios éticos e morais outros, por interesses sórdidos e mesquinhos. Uma das personagens mais fascinantes é a mãe de Miguel, a milionária Ísis Campobello. Ela é viúva e preside uma poderosa holding de empresas que o falecido marido lhe deixou. Apesar de linda, ela vive sozinha desde a trágica morte do cônjuge, desesperançada de encontrar um amor à altura dos que já viveu. Mas uma grande surpresa está para acontecer: a volta do homem que foi sua paixão na juventude, Bóris Sanches, aventureiro destemido e romântico, dado como morto há 30 anos. Ele a ajudará a proteger o filho e a enfrentar os vilões de todo tipo que a cercam, como o vice-presidente, Mário, que trai covardemente a confiança que Ísis deposita nele e prepara um golpe para derrubá-la e tomar sua fortuna; Félix, um advogado aproveitador e dissimulado; e Maria Lúcia, mulher sensual e maligna, prima de Ísis, que não hesitará em se aliar aos que tramam contra ela. Conta a história da luta - a propósito da complicada situação em que Miguel e Joana se meterão - travada entre a honestidade e a corrupção dentro da Justiça e da Polícia. De um lado, o perverso delegado Dênis Nogueira, perigoso psicopata que se esconde atrás de uma máscara de homem de bem, refinado; e culto de outro, o atrapalhado mas íntegro e corajoso promotor Leonardo, batendo-se contra os inimigos da lei e tendo de dar conta das divertidas, apesar de danadas, três mulheres que atormentam sua vida: a mãe Lizinha, a filha Carla e a ex-esposa Patrícia, além da doce delegada Maria do Carmo, por quem se apaixona. Há também a história dos simpáticos moradores do bairro em que Joana vive: a mãe dela, Lucília, e o pai, Haroldo, que será brutalmente assassinado por bandidos; Carlinhos, o jovem dividido entre o futebol e o mundo do crime; Madalena, uma órfã da guerra urbana que será entregue à milionária Ísis e muitos outros.Igualmente o universo dos marginais é retratado, a vida nas cadeias, as gangues, as batalhas entre quadrilhas, e o mundo chique, dos ricos, famosos, em casas confortáveis. Enfim, uma história que mistura amor e violência, riqueza e pobreza, sonho e realidade brutal, honestidade e corrupção, ordem e caos, heroísmo e vilania.

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Sem dúvida a novela Vidas Opostas foi uma NOVELA INESQUECÍVEL!

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Escrito por Jéfferson Balbino às 14h20 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Próxima Estreia: Passione, a nova novela da Globo

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Silvio de Abreu apresenta Passione, a próxima novela das oito que estreia no dia 17 de maio, na Rede Globo

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- Minha intenção é fazer uma novela divertida, envolvente, lúdica e com um clima de suspense na segunda parte da história - declara o autor Silvio de Abreu.

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Bete (Fernanda Montenegro), em Passione

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A nova novela das oito, Passione estreia dia 17 de maio e traz o grande império da família Gouveia. Positivismo, incentivo e cooperação. Esses são os sentimentos que possibilitaram e motivaram Bete (Fernanda Montenegro) e Eugênio Gouveia (Mauro Mendonça) a construir o seu legado. Eles começaram com uma pequena fábrica até chegar à grande potencia que é a metalúrgica especializada em bicicletas modernas e inovadoras.

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casal

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Sogro de Bete e de importante família paulistana , Antero (Leonardo Villar) adora gastar dinheiro e vive como se ainda estivesse nos anos quarenta. Mantém o companheirismo e um carinho muito grande no casamento, preservando a união de tantos anos, apesar das brigas, do ciúmes, mágoas antigas e acusações que são superadas com muito amor. Assim como a esposa é um senhor divertido em suas manias e descontrai o ambiente familiar.

Novela de Silvio de Abreu, Passione, estreia dia 17 de maio e tem direção de núcleo de Denise Saraceni, e direção-geral de Carlos Araújo e Luiz Henrique Rios e direção de Allan Fiterman, Natalia Grimberg e André Câmara.

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Melina

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A temporã e caçula, Melina (Mayana Moura) é uma jovem bonita, moderna, fashion. Ela é a estilista dos produtos para ciclistas da empresa. Desde pequena tem um paixão avassaladora por Mauro (Rodrigo Lombardi), o filho do chofer da casa, que não consegue levá-la a sério, pois a vê ainda como aquela menina rebelde dos tempos de infância. Muito carinhosa, está sempre dando atenção aos avós Brígida (Cleyde Yáconis) e Antero (Leonardo Villar).

Brígida (Cleyde Yáconis) é uma senhora muito ativa, uma figura forte e imponente na família, pois acompanhou todo o crescimento da Metalúrgica. Vive implicando com a nora, Bete (Fernanda Montenegro). Apesar disso, é muito divertida em seu humor e sempre que pode, aproveita para praticar a sua ironia com o marido.

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Passione

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Ao contrário do irmão , Gerson (Marcello Antony), o segundo filho, é um cara descolado que não gosta dos assuntos administrativos da empresa e por isso resolveu se dedicar a corridas de Stock Car. Campeão da modalidade, Gerson é famoso não só por pelas disputas que venceu, mas também porque organiza promoções e campeonatos de bicicleta. É o tio herói dos sobrinhos.

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Stela (Maitê Proença) e Sinval (Kayky Britto)

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Saulo (Werner Schunemman) é o filho mais velho que conquistou o posto de diretor da Metalúrgica e apesar de estar bem colocado no trabalho, ainda não está satisfeito com o cargo que ocupa. Invejoso e articulador, o seu maior desejo é ser o presidente da indústria. Casado com Stela ( Maitê Proença) , ele é pai de Danilo (Cauã Reymond), Sinval (Kayky Brito) e Lorena Tammy Di Calafiori).

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tony ramos

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Passione

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Passione 2

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Passione 3

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passione

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Escrito por Jéfferson Balbino às 14h01 [ ] [ envie esta mensagem ] []

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Escrito por Jéfferson Balbino às 13h44 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Vida de Artista: Raul Gil pode ir para o Sbt

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Raul Gil está insatisfeito na Band

 

Há rumores de que o apresentador Raul Gil está muito insatisfeito com sua emissora, Band. Tanto que o apresentador está em processo de negociação pra se transferir pro SBT. Segundo a colunista do portal R7, Fabíola Reipert, o apresentador da Band foi visto no SBT e teria tido uma reunião com o dono da emissora, o empresário e apresentador Silvio Santos. Durante a exibição da Copa do Mundo, o programa Raul Gil ficará fora do ar, esse é um dos principais motivos da insatisfação do apresentador.

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Escrito por Jéfferson Balbino às 13h20 [ ] [ envie esta mensagem ] []